Ao Invés De Compensar, Europeus Aposentam Emissões De CO2

Ao Invés De Compensar, Europeus Aposentam Emissões De CO2
julho 25 19:12 2008 Imprimir Este artigo

mercadoeticoSabrina Domingos, do Carbono Brasil

Uma empresa britânica de compensação de emissões de carbono que funciona na internet – a Carbon Retirement – oferece a companhias ou cidadãos europeus uma maneira original de neutralizar a pegada de carbono, interferindo diretamente no esquema de negociação de emissões da União Européia (EU ETS).

A idéia de três jovens que fundaram a empresa no dia 15 de julho é utilizar o dinheiro dos clientes para comprar as permissões de emissões determinadas pela Comissão Européia por fora do esquema.

O EU ETS é a principal bandeira da Europa na luta conta as mudanças climáticas. Nessa segunda fase (entre 2008 e 2012), o governo determina um limite de emissões para as indústrias pesadas e aloca um número fixo de permissões (chamadas de EUAs) – cada uma delas permite que se polua ou negocie o equivalente a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2). Ao comprar essas permissões, a Carbon Retirement, diminui a oferta no mercado e restringe a possibilidade de grandes empresas poluidoras pagarem para ter o direito de emitir mais CO2.

Enquanto os fornecedores tradicionais de compensações comercializam créditos de redução de emissões verificadas gerados a partir de projetos de energia limpa (como usinas hidrelétricas ou eólicas, geralmente realizados em países em desenvolvimento), a Carbon Retirement compra e “aposenta” as permissões européias para beneficiar seus clientes.

Ao fazer isso, retira essas permissões do mercado, mantendo-as inutilizáveis para as indústrias altamente poluidoras. A ação representa uma tonelada a menos de CO2 das cerca de 12 mil que as instalações participantes podem emitir. O site da empresa sugere que os consumidores utilizem a Carbon Retirement para compensar partes inevitáveis da pegada de carbono ou então, que aposentem mais carbono apenas por diversão – “e para o bem do planeta”.

O gerente de relacionamento com clientes do First Climate Group (que atua no mercado de carbono da Europa), Frieder Frasch, avalia que o modelo de negócio da Carbon Retiremet tende a reduzir as emissões européias, mas afirma que é preciso observar que as EUAs não são a opção mais barata, além de terem menos, ou talvez nenhum, benefícios sociais ou ambientais. “Por outro lado, projetos de MDL ou de compensações voluntárias estimulam transferências de capital, tecnologia e conhecimento. Estes dois últimos itens são importantes meios de alcançar o desenvolvimento sustentável e estão comumente inseridos em políticas de proteção climática”, defende.

Sacada

A idéia de aposentar carbono surgiu no último ano, quando Dan Lewer (um dos sócios da Carbon Retirement) planejava esquiar com amigos na França. O grupo avaliou a possibilidade de compensar as emissões dos vôos pelos certificados tradicionais. “Nós somos ambientalistas, o tipo de consumidor de uma empresa de compensação de emissões típica”, afirma. “Mas entendemos que apesar de a maioria dessas compensações soarem ambientalmente bem, o mercado como um todo parece muito complexo e difícil de avaliar”.

Mesmo com as negociações globais de compensações voluntárias terem mais do que triplicado em 2007 – com 65 milhões de toneladas de CO2 vendidas por cerca de 330 milhões de dólares – as acusações de baixa qualidade e contagem dobrada dos créditos continuam a afligir o mercado.

“Pensamos que o processo de aposentadoria das EUA seria uma maneira de lidar com todos esses problemas”, acrescenta Lewer.

Como funciona

Depois que uma compra de compensação é realizada pelo site, a Carbon Retirement adquire as EUAs correspondentes no mercado, em bolsas de CO2 como a EXAA, na Áustria, ou a Climex, na Holanda. As EUAs são negociadas em torno de 24,50 euros (39 dólares) a tonelada.

A Carbon Retirement cobra um percentual de 10% sobre o preço da EUA para cobrir custos e outros 5% para bancar a volatilidade inesperada dos preços entre a época da venda inicial e o momento em que a empresa as compra do mercado.

“Se o valor sobe nesse período, nós perdemos dinheiro, mas se cai significativamente, nós utilizamos os lucros extras para aposentar mais EUAs. Assim, nós guardamos apenas os 10% cobrados pelo serviço”.

Durante a primeira fase do esquema europeu (2005 – 2007) o mercado liberava muitas permissões aos participantes; como resultado, o mercado de EUAs quebrou. “Se tivéssemos lançado essa iniciativa na fase 1, todas as EUAs vendidas teriam se tornado ambientalmente sem valor”, comenta Lewer.

Analistas prevêem um mercado curto na segunda fase, baseado nos limites mais apertados estabelecidos ano passado pela Comissão Européia. Essa também é a visão da Carbon Retirement. “Nós temos uma confiança muito grande de que a segunda fase será curta… e, com cada EUA que nós aposentamos, ajudamos a encurtar ainda mais”, avalia Lewer.

Com menos oferta os preços sobem. Os especialistas estimam que as EUAs – que também estão intimamente relacionadas com óleo e energia – podem alcançar 100 euros por tonelada de CO2, caso o preço da energia continue a subir. As compensações tradicionais giram em torno de 3 e 7 euros.

“Se as EUAs tornarem-se muito caras, obviamente será mais difícil para nós as vendermos, principalmente para nossos clientes corporativos”, explica Lewer.

“Se você olhar para o nosso modelo de negócios, é evidente que nunca faremos milhões com isso. É um projeto predominantemente ambientalmente motivado”, acrescenta.

Lewer não conta quantas EUAs a Carbon Retirement já vendeu ou ainda pretende vender. “Nossa meta é fazer com que a aposentadoria de EUA seja entendida como uma parte importante do mercado de compensação de carbono. Nós queremos ser comparáveis aos líderes atuais do mercado de compensação”.

* Com informações da Reuters Interactive.

(Envolverde/Carbono Brasil) e Mercado Ético

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